13 de abr. de 2011

Psicomotricidade

A psicomotricidade integra várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo, relacionando-o com afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Enfocando assim, a educação dos movimentos, ao mesmo tempo em que põe em jogo as funções intelectuais. Estudos mostram que as primeiras evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente motoras.

Nesse sentido Loureiro (2000) afirma ser a Psicomotricidade a otimização corporal dos potenciais neuro, psico-cognitivo funcionais, sujeitos a leis de desenvolvimento e maturação, manifestados pela dimensão simbólica corporal própria, original e especial do ser humano. Já Costallat (2002) define psicomotricidade como ciência de síntese, que com a pluralidade de seus enfoques, procura elucidar os problemas que afetam as inter-relações harmônicas que constituem a unidade do ser humano e sua convivência com os demais.
Em contrapartida, Fonseca (2008) enfatiza o discurso de que se deve evitar o tipo de análise de Loureiro e Costallat (2002) para não cair no erro de colocar o psíquico e o motor como elementos distintos, o que segundo seu pensamento, esses componentes seriam o mesmo. Seguindo essa ideia, Fonseca coloca a Psicomotricidade com fins educativos pelo emprego do movimento humano e não um novo método, uma corrente de pensamento.
Por sua vez a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade define psicomotricidade como a ciência que tem por objeto de estudo o homem através de seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Sendo assim, seu desenvolvimento é de extrema importância na formação integral do cidadão, questão base desta pesquisa, que é a de investigar se um bom trabalho psicomotor é tão importante e se sua falta estaria relacionada às dificuldades na alfabetização de muitas crianças com as quais nos deparamos nas escolas.
Por estudar o ser humano de maneira integral sem desprezar os aspectos afetivos (social), cognitivos (psíquicos) e motor, é que a psicomotricidade fornece excelentes subsídios para fins didáticos durante o processo de formação do indivíduo, visando estimular as seguintes áreas:
• comunicação e expressão, trabalhando com a linguagem e socialização ampliando o conhecimento de si e do mundo;
• percepção que é a capacidade de reconhecer e compreender estímulos recebidos;
• coordenação motora, mais ligada ao desenvolvimento físico que supõe a integridade e a maturação do sistema nervoso;
• orientação ou estruturação espacial e temporal, importantes no processo de adaptação do indivíduo ao ambiente corresponde também à organização intelectual do meio que está ligada à consciência, à memória e às experiências vividas;
• conhecimento corporal que é a percepção do próprio corpo e de todos os sentidos juntando-se a lateralidade que é a percepção dos lados direito e esquerdo; e
• habilidades conceituais que estão ligadas ao conhecimento lógico-matemático, que por sua vez é construído a partir da coordenação das relações que estabeleceu anteriormente entre os objetos.

Psicomotricidade

  Inicialmente o termo psicomotricidade aparece nos discursos médicos mais especificamente neurológicos devido à necessidade de se nomear as zonas do córtex cerebral situadas além das regiões motoras. 

Devido ao aprofundamento nos estudos da neurofisiologia, verificaram-se novos distúrbios da atividade gestual, das atividades práxicas e que essas diferentes disfunções graves não lesionariam o cérebro. Diante disso, surgiu à necessidade de uma nova área que explicasse esses novos fenômenos, e por isso, surgiu à nomenclatura Psicomotricidade, no ano de 1870.
  Em 1902, Dupré, neuropsiquiatra foi o precursor do discurso da independência da debilidade motora em relação aos aspectos neurológicos; evidenciou a “Síndrome da Debilidade Motora” dizendo existir uma relação que uniria as anomalias psíquicas juntamente com as motoras e que seria a expressão de uma solidariedade original e profunda entre o pensamento e o movimento (COSTALLAT, 2002).
  No Brasil, a história da Psicomotricidade chega tardiamente, mas seguindo os passos da escola francesa, onde os estudos tiveram início na época da 1ª guerra mundial com o Prof. Dr. Julian de Ajuriaguerra, que por suas contribuições ao nascimento da Psicomotricidade, passou a ser conhecido como o “Pai da Psicomotricidade”. Contudo, vêm despertando interesse de muitos estudiosos, principalmente de educadores em busca de melhorar o desempenho de seu alunado.
  Segundo Ajuriaguerra a Psicomotricidade é a experiência do corpo, como diálogo tônico, podendo ser lida como uma linguagem, afirmando que o papel da função tônica não é apenas o de servir de pano de fundo da ação corporal, mas é também um modo de relação com o outro. Sendo assim, Ajuriaguerra (1962 apud ISPE-GAE, 2009) define: